Fisiologia do Nó Atrioventricular

Ao estudar as características, percebemos diferentes partes distintas do nó atrioventricular (AV), que são: atrionodal (AN), nodal (N) e nodalHis (NH).

As respostas do tipo AN produzem impulsos elétricos rápidos e curtos, e são encontradas numa área de mudança entre diferentes regiões. As respostas do tipo N são encontradas numa área específica do nó AV e têm impulsos elétricos mais lentos e mais longos.

Já o padrão NH é encontrado numa área de mudança entre o nó AV e o feixe de His, e tem impulsos elétricos rápidos seguidos de uma fase de repolarização mais longa, parecida com os impulsos no feixe de His.

As células AN são ativadas logo após as células atriais normais, e o atraso que produzem não depende de quanto cedo é o estímulo.

Na área N, a amplitude dos impulsos elétricos, sua velocidade máxima (Vmax) e sua propagação diminuem claramente quando o estímulo é prematuro. É nessa área que ocorrem atrasos e bloqueios relacionados a uma frequência cardíaca alta ou estímulos prematuros.

No entanto, é importante notar que não há fronteiras exatas entre essas áreas. Tanto na estrutura histológica quanto na atividade elétrica, as transições são graduais.

Ilustração do coração em corte transversal com destaque na eletrofisiologia.
Estrutura eletrofisiológica do coração, com destaque ao nó Atrioventricular e ao Feixe de His (Bundle of His).

Mecanismos do “Atraso” no Nó AV

Os motivos pelos quais ocorre o “atraso” no nó AV ainda não são completamente compreendidos. Uma ideia é que as características de condução ao longo do nó AV mudam gradualmente, tornando a propagação do impulso elétrico menos eficiente conforme avança.

Outra possibilidade é que o padrão de propagação permanece o mesmo, mas pequenas áreas do nó se tornam temporariamente incapazes de conduzir o impulso elétrico, causando uma espécie de estagnação entre as regiões N e NH.

Essas áreas podem agir como componentes de um circuito elétrico passivo (resistor-capacitor), o que significa que leva algum tempo para que a porção do nó AV seja ativada. É provável que na condução pelo nó AV haja uma combinação de ambos esses mecanismos.

Ilustração dos impulsos elétricos do coração.
Representação da estimulação elétrica do coração, desde o impulso sinusal, atrioventricular, feixe de His e as fibras de Purkinje. Obsere o gráfico palalelamente aos impulsos elétricos.

Identificação de Vias Nodais no Nó AV

Em muitas pessoas saudáveis, é possível identificar eletricamente duas ou mais vias no nó AV devido à sua complexa estrutura anatômica. Essas vias, embora não sejam claramente separadas anatomicamente, se comportam de maneira diferente quando ativadas por frentes de ativação complexas que vêm de várias direções (posterior, anterior e medial).

Durante o ritmo normal do coração, a frente de ativação principal é a anterior (via rápida), o que permite uma transmissão rápida do sinal para o feixe de His.

No entanto, em casos de batimento cardíaco prematuro, essa região pode ficar bloqueada temporariamente devido à sua refratariedade prolongada em comparação com outras regiões do nó AV.

Nesse caso, a frente de onda elétrica progride através da via posterior (via lenta), o que leva mais tempo para alcançar o feixe de His. Se esse tempo for longo o suficiente, a frente de ativação pode até retornar ao átrio através da região anterior do nó AV, causando um eco atrial.

No entanto, a presença de duas ou mais vias nodais não significa necessariamente que isso resultará em um eco atrial ou em taquicardia reentrante nodal.

Características das Células da Rede Terminal de Purkinje

Quando a frente de ativação se move do nó AV compacto para a região de transição NH, a velocidade de transmissão aumenta. Ao atingir o feixe de His, que é composto por fibras isoladas eletricamente do músculo cardíaco ventricular, a frente de ativação é rapidamente transmitida aos ventrículos através da rede de Purkinje.

As células da rede terminal de Purkinje têm potenciais de ação com uma fase inicial muito rápida e são polarizadas. Elas exibem um fenômeno chamado autodespolarização, no qual a corrente do marca-passo (If) desempenha um papel importante. Essas células têm uma frequência cardíaca intrínseca muito menor do que as células do nó sinusal e do nó AV.

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